ramos de amendoeira com flores e frutos

Os primeiros botões de flor de amendoeira desabrocham um mês antes da primavera, anunciando, sem demoras, a estação mais florida. Desde a segunda semana de fevereiro até aos primeiros dias de março as amendoeiras florescem e o Douro adquire uma imagem nova, mais colorida, pura e serena. Os vales despidos pelo Inverno adquirem uma nova roupagem em tons branco e rosa.

A amêndoa é um dos frutos mais produzidos na região do Douro, principalmente nos concelhos de Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Torre de Moncorvo e Vila Nova de Foz Côa, que se inserem na Rota das Amendoeiras. Como forma de festejar o belo fenómeno natural, estes concelhos organizam várias festividades durante aquela época, por forma a que esta bela região repleta de árvores floridas não passe despercebida a ninguém.

Em Freixo de Espada à Cinta realizam-se a Feira Transfronteiriça das Arribas do Douro e a Festa dos Gostos e Saberes, onde é ressalvado o artesanato regional e ibérico. Em Mogadouro a festa começa, também, no final de fevereiro com a Feira Franca de Produtos da Terra. As festividades prolongam-se durante o mês de março com o Encontro de Pauliteiros do Concelho de Mogadouro, o Festival de Folclore das Amendoeiras já em Março e um percurso de BTT pelas Amendoeiras. Em Torre de Moncorvo não falta animação musical, além da Feira de Produtos da Terra e Stock. Vila Nova de Foz Côa acolhe várias atividades de crosse, em torno dos campos de amendoeiras em flor, para além do Festival de Folclore, Feira Franca, Passeio de Cicloturismo.

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Reza a lenda que as amendoeiras surgiram em Portugal, antes de este ser reino, no tempo dos mouros. O jovem rei Ibn-Almundim terá sido o responsável por tal cultivo, pois queria agradar a sua princesa nórdica, que sentia saudades da neve da sua terra Natal. Quando as amendoeiras florescem assemelham-se a um manto de neve que cobre o horizonte, com a vantagem de não serem frias e de aromatizarem o ar, com o doce perfume que anuncia a Primavera. Créditos: DouroValley

 

Descobre a Rota das Amendoeiras em Flor 

Apesar de a CP – Comboios de Portugal organizar um programa especial dedicado às Amendoeiras em Flor, que é sempre uma opção disponível, o roteiro que te propomos aqui implica que vás de carro. Deslumbra-te com as paisagens, as cores, os cheiros.

De Freixo de Espada à Cinta a Barca d’ Alva

Freixo de Espada à Cinta é conhecida como a “vila mais manuelina de Portugal”, o que não é pouca coisa. O estilo Manuelino personifica um dos períodos arquitectónicos mais esplendorosos do país. Ao começares o teu passeio aqui, visita a vila. Passeia pelas suas ruas estreitas e silenciosas, visita a igreja matriz, surpreende-te com o freixo de espada à cinta, com idade superior a quinhentos anos (classificada em 2018 como “Árvore de Interesse Público”), e visita a Torre do Galo, uma torre heptagonal, que é exemplar único.

Segue em direção a Barca d’Alva e prometemos-te 20 km de beleza ímpar. Montes e vales que parecem estar cobertos por uma manta de retalhos, de desenhos e texturas diferentes. Campos infindáveis de oliveiras e amendoeiras já em flor, que se perdem de vista, e onde  as ovelhas se passeiam. A cada curva, uma paragem, dezenas de fotografias e minutos de contemplação.

paisagem amendoeiras em flor em foz coa

 

Chegados a Barca D´Alva a sensação é que paramos no tempo, tanto quanto a sua estação ferroviária e linha férrea, hoje abandonadas e vandalizadas, mas cheias de mistério. Senta-te por lá um pouco. Barca D´Alva é uma pequena povoação que está integrada no Parque Natural do Douro Internacional, determinando o limite do Douro em território português.

 

De Barca D’ Alva a Castelo Rodrigo

socalcos do douro com amendoeiras em flor

 

A direção é Figueira de Castelo Rodrigo e a Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo. Aliás, à medida que nos aproximamos da vila o nosso olhar começa a fixar-se nas ruínas que, lá do alto do monte, nos capta a atenção. É lá que fica uma das mais conhecidas Aldeias Históricas de Portugal, a Aldeia de Castelo Rodrigo, que mantém a característica traça medieval, com um património histórico inestimável. Visita as muralhas do castelo (construído em 1209), as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura (edificado em 1590), o Pelourinho quinhentista, a cisterna medieval e a igreja matriz (século XII/ XIII). Passeia pelas ruas e delicia-te com uma prova “livre” de amêndoas revestidas de uma tanta variedade de sabores, na loja e salão de Chá Sabores do Castelo. Chocolate, coco, sementes de sésamo, caril, especiarias, lavanda…mas o verdadeiro sabor está mesmo na amêndoa… que é deliciosa. As Amendoeiras em a Flor presenteiam-te à chegada e à saída.

 

 

vista panoramica de figueira de castelo rodrigo

 

Uma passagem obrigatória por Foz Côa antes de Torre de Moncorvo

Já em direção a Torre de Moncorvo, pára em Foz Côa. Pode ser uma paragem mais demorada, caso queiras visitar o Parque Arqueológico do Vale do Côa, um museu ao ar livre com pinturas rupestres da época do Paleolítico. Mas não te esqueças que as visitas têm de ser agendadas e só decorrem em grupos acompanhados com guias do Museu do Côa ou com agentes autorizados. Ou pode ser uma paragem mais rápida, com uma visita a Castelo Melhor, povoação que tem um dos castelos mais antigos de Portugal, datado do século XII ou XIII. É considerada uma das ruínas medievais de carácter militar mais impressionantes e menos adulteradas. Foz Côa intitula-se a Capital das Amendoeiras, e tem uma das Festas da Amendoeira em Flor mais conceituadas da região. Vale a pena espreitar o programa e organizares a tua ida nessas datas.

 

cultivo de amendoeiras em flor

 

Já em Torre de Moncorvo, um pequeno passeio a pé pelo centro histórico dá-te uma perspetiva do núcleo medieval que o compõe, do qual se destaca a Igreja Matriz de Torre de Moncorvo e o chafariz Filipino, de 1636, que adorna a praça central. A embelezar a vila, as casas solarengas e as várias lojas de venda de produtos regionais e de confeção da amêndoa coberta. Não te esqueças de comprar e levar de recordação.

Vila Flor e o fim do roteiro

Vinte e cinco quilómetros separam Torre de Moncorvo de Vila Flor. E, mais uma vez, é o caminho que nos surpreende. Quando chegares a Vila Flor, és recebido pela Rainha Santa Isabel que, formosa, embeleza a praça principal da Vila, cercada das rosas que tanto a caracterizam. Vila Flor é uma janela virada para o vale da Vilariça, rico em história e tradição. “Que outra terra teve o privilégio de ser batizada por um Rei?”

Vai um passeio?

Créditos: IATI Seguros